Há um tempo atrás eu comentei aqui que o italiano está cada vez mais cheio de palavras estrangeiras, principalmente do inglês. Procurando por outra coisa, acabei me deparando com essa listinha de palavras estrangeiras e os seus equivalentes em italiano. Pra que serve a lista? Pra vocês perceberem a "colonização" linguística na Itália, especialmente por parte do inglês. E para, sabendo qual é o equivalente, darem preferência ao italiano.
A listinha está aqui nesse site , vá lá dar uma espiada.
La parola del giorno è: sbirciare (espiar)
Mostrando postagens com marcador contaminação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contaminação. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
domingo, 28 de novembro de 2010
La vera storia di Cappuccetto Rosso
Falando ainda de contaminação linguística, já apontei aqui como a língua inglesa "invadiu" a língua italiana, a ponto de termos, em determinados discursos, muitas palavras inglesas misturadas ao italiano.
O interessante é que as palavras inglesas no italiano não têm (em sua maioria) a grafia adaptada ao italiano, como ocorre frequentemente no português brasileiro.
Essas palavras, que são empréstimos, podem constituir uma dificuldade (mais conhecido como "pepino tradutório" entre os tradutores) no momento de tradução , pois surgem questões sobre como traduzir e quanto traduzir, se pensarmos que também aqui no Brasil usamos palavras em inglês inseridas no nosso discurso, mas que não necessariamente, significam a mesma coisa do que uma palavra inglesa "emprestada" ao italiano.
A questão é bastante complexa (e longa!) então, por enquanto, vou deixar para vocês uma historinha inventada, cuja autoria desconheço, mas que ilustra, jocosamente, a quantidade de palavras da língua inglesa usadas em italiano.
É escrita em angliano (inglês + italiano), mas bastante divertida.
Espero ter tempo em breve para voltar ao assunto.
O interessante é que as palavras inglesas no italiano não têm (em sua maioria) a grafia adaptada ao italiano, como ocorre frequentemente no português brasileiro.
Essas palavras, que são empréstimos, podem constituir uma dificuldade (mais conhecido como "pepino tradutório" entre os tradutores) no momento de tradução , pois surgem questões sobre como traduzir e quanto traduzir, se pensarmos que também aqui no Brasil usamos palavras em inglês inseridas no nosso discurso, mas que não necessariamente, significam a mesma coisa do que uma palavra inglesa "emprestada" ao italiano.
A questão é bastante complexa (e longa!) então, por enquanto, vou deixar para vocês uma historinha inventada, cuja autoria desconheço, mas que ilustra, jocosamente, a quantidade de palavras da língua inglesa usadas em italiano.
É escrita em angliano (inglês + italiano), mas bastante divertida.
Espero ter tempo em breve para voltar ao assunto.
THE BELLISSIM' STORY OF CAPPUCCETT RED
(Only per chi conosc l'english)
One mattin her mamma dissed: "Dear Cappuccett, take this cest to the nonn, but attention to the lup that is very ma very kattiv! And torn prest! Good luck! And in bocc at the lup!"
Cappuccett didn't cap very well this ultim thing but went away, da sol, with the cest.
Cammining cammining, in the cuor of the forest, at a cert punt she incontered the lup, who dissed: "Hi! Piccula piezz'e girl!' Ndove do you go?" "To the nonn with this little cest, which is little but it is full of a sacc of chocolate and biscots and panettons and more and mirtills" she dissed. Ah, mannagg! "A Maruschella (maybe an expression com: what a cul that I had)" dissed the lup, with a fium of saliv out of the bocc. And so the lup dissed: "Beh, now I dev andar because the telephonin is squilling, sorry."
Cappuccett didn't cap very well this ultim thing but went away, da sol, with the cest.
Cammining cammining, in the cuor of the forest, at a cert punt she incontered the lup, who dissed: "Hi! Piccula piezz'e girl!' Ndove do you go?" "To the nonn with this little cest, which is little but it is full of a sacc of chocolate and biscots and panettons and more and mirtills" she dissed. Ah, mannagg! "A Maruschella (maybe an expression com: what a cul that I had)" dissed the lup, with a fium of saliv out of the bocc. And so the lup dissed: "Beh, now I dev andar because the telephonin is squilling, sorry."
And the lup went away, but not very away, but to the nonn's House.
Cappuccett Red, who was very ma very lent, lent un casin, continued for her sentier in the forest. The lup arrived at the house, suoned the campanel, entered, and, after saluting the nonn, magned her in a boccon. Then, after sputing the dentier, he indossed the ridicol night berret and fikked himself in the let. When Cappuccett Red came to the fint nonn's house, suoned and entered. But when the little and stupid girl saw the nonn (non was the nonn, but the lup, ricord!) dissed: "But nonn, why do you stay in let?"
And the nonn-lup: "Oh, I've stort my cavigl doing aerobics!".
"Oh, poor nonn!" said Cappuccett (she was more than stupid, I think, wasn't she?).
Then she dissed: "But...what big okks you have! Do you bisogn some collir?"
"Oh, no! It's for see you better, my dear (stupid) little girl" dissed the nonn-lup.
Then cappuccett, who was more dur than a block of marm: "But what big oreks you have! do you have the Orekkions?".
Then cappuccett, who was more dur than a block of marm: "But what big oreks you have! do you have the Orekkions?".
And the nonn-lup: "Oh, no! It is to ascolt you better".
And Cappuccett (that I think was now really rincoglionited) said: "But what big dents you have!"
And the lup, at this point dissed: "it is to magn you better! And magned really tutt quant the poor little girl".
And Cappuccett (that I think was now really rincoglionited) said: "But what big dents you have!"
And the lup, at this point dissed: "it is to magn you better! And magned really tutt quant the poor little girl".
But (ta dah!) out of the house a simpatic, curious and innocent cacciator of frod sented all and dissed: "Accident! A lup! Its pellicc vals a sac of solds.
And so, spinted only for the compassion for the little girl, butted a terr many kils of volps, fringuells and conigls that he had ammazzed till that moment, imbracced the fucil, entered in the stanz and killed the lup. Then squarced his panz (being attent not to rovin the pellicc) and tired fora the nonn (still viv) and Cappuccett (still rincoglionited).
And so, at the end, the cacciator of frod vended the pellicc and guadagned honestly a sacc of solds. The nonn magned tutt the leccornies that were in the cest. And so, everybody lived felix and content (maybe not the lup!).
La parola del giorno è: prestito (empréstimo)
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Contaminação, evolução, mudança: 2ª parte
Continuando a conversa
sobre “contaminação”, “evolução”, “mudança” e afins, que comecei com o Danilo Nogueira através dos nossos blogs , fui revisar alguns conceitos, e vou tentar reorganizar as ideias para chegar, de novo, no meu ponto de partida e no que eu quero realmente explorar.
Primeiro: as línguas evoluem. Sim. Mas vou puxar o meu passado de bióloga e tomar a palavra evolução como processo de transformação e modificação ao longo do tempo. Essa é a definição de evolução no sentido biológico, e a rigor, não é nem positiva e nem negativa. É mudança, simplesmente.
Portanto, as línguas mudam, se transformam, e disso nós somos testemunhas, já que o vocabulário e modo de falar denuncia a idade, não é?
Segundo: se as línguas mudam, como isso acontece?
Um dos modos de mudança lexical (existem vários) é o empréstimo, que ocorre quando há incorporação ao léxico de uma língua de uma palavra ou traço linguístico pertencente a outra língua. No empréstimo pode haver a reprodução da palavra sem alteração na pronúncia ou grafia (como em shopping), ou com adaptação fonológica e ortográfica (como em abajur).
Como a língua não muda mesmo aos trambolhões (embora alguns processos atraiam outros e ocorram quase em sequência), o mais interessante é que, se a gente prestar atenção, pode observar essas mudanças acontecendo diante dos nossos olhos (e ouvidos).
Esses dias eu estava vendo uma propaganda em homenagem ao Pelé, que hoje faz 70 anos, e a propaganda mostrava um recorte de jornal bem antigo, e lá estava escrito que o Pelé tinha levado um “knockout”. Muitos anos depois, essa palavra estrangeira não gerou apenas mais uma palavra completamente incorporada ao nosso léxico, mas uma família inteira: nocautear, nocauteado, nocauteador, nocaute e por aí vai. São legítimas, sim, mesmo que o dicionário não consagre todas elas (no Houaiss, por exemplo, não há nocauteador).
Você observou a palavra que eu usei, “consagre”? Não foi à toa. Isso porque o dicionário sempre foi uma obra absoluta, como a bíblia, para muitos. Em reuniões de família, levanta-se da mesa para consultar o dicionário, e o que ele diz é lei.
Os neologismos, porém, demoram em média dez anos para constarem nos dicionários, com raras e boas exceções, como o Aulete, pois nesses tempos internéticos, dez anos é muito tempo.
Antes de constarem no dicionário, as palavras têm que passar por um período de “teste”, e aí entra muito (mas muito mesmo), a questão do poder, quem disse, quem está usando tal palavra ou expressão, para ver se a palavra vai “vingar”. Mas nós, simples mortais e não “imortais” da academia, também temos a nossa parcela de influência, ao falarmos e escrevermos, estamos legitimando palavras e construções.
Língua é poder, palavra é poder. Por isso temos tantas palavras oriundas do inglês, adaptadas ou não. São eles que mandam agora, já foram os romanos.
A questão que mais choca, porém, não é o empréstimo lexical, mas a incorporação de estruturas sintáticas ao português, a que nós, tradutores, estamos mais expostos e das quais muitas vezes somos a causa.
Mas esse vai ser o assunto do próximo post. Enquanto isso, leia essa tirinha da Mafalda, boa para se divertir e refletir. Até lá.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Contaminação Linguística
O Danilo Nogueira começou no blog dele e da Kelli Semolini, uma conversa sobre a questão da contaminação. Eu, muito enxerida que sou, já dei uns pitacos lá e outros tantos via Twitter e Skype. Decidimos, então, alongar a discussão via blogs, fazendo uma espécie de pingue-pongue.
O Danilo já disse muito lá no blog dele, mas ainda ficamos com umas pontas para serem amarradas ou talvez, desamarradas e transformadas numa rede.
Considero a contaminação linguística menos negativa que muita gente, afinal ela é uma das fontes de enriquecimento de uma língua. Sem esse processo, ainda falaríamos o português de Pedro Alvarez Cabral, sem nenhuma das contribuições que vieram por meio das línguas faladas pelos africanos, italianos, franceses e tantos outros.
Isso em teoria. A questão da contaminação se torna um problema quando ela ainda é recente, mas deixamos de identificá-la e passamos a utilizá-la no lugar de uma forma ou construção idônea. Aí entra a questão da contaminação versus erro.
No início, toda a contaminação é erro, até ser assimilada e utilizada a ponto de não causar mais estranhamento.
Um exemplo disso? Quando ouço alguém que diz que vai “suportar” outra pessoa no que ela precisar, quando leio que “eu não fui solicitada a fazer isso”, meus olhos e ouvidos doem e não reconheço isso como português, mas sim estruturas contaminadas vindas na maior parte do inglês.
No entanto, nem todo mundo percebe que a contaminação está ali rondando determinada palavra ou expressão, simplesmente porque, por ser mais jovem, pegou o bonde da assimilação andando (sim, eu sou do tempo do bonde) e quase não percebe mais a estrutura ou palavra contaminada como estranha.
Um exemplo disso é o “tornar-se” aplicado às profissões, debatido lá no blog do Danilo, que também me informa que a expressão “algo específico” é contaminação.
Acredito que os tradutores estejam constantemente expostos a esse "perigo", e por estarem tão mergulhados na outra língua, muitas vezes não percebem o problema.
Não vamos, porém, confundir contaminação com o simples estranhamento que a palavra ou expressão pode causar, até porque esse estranhamento pode variar de pessoa para pessoa, indo desde os puristas que acham tudo errado, até os linguistas revolucionários, que acreditam que tudo vale e tudo é certo. Isso é outra história.
Aliás, para quem for bem curioso, três palavras usadas nesse artigo não constam nos dicionários. Estarei contaminada?
Assinar:
Postagens (Atom)

