Um pulinho rápido aqui para indicar um site de onde se pode baixar livros em várias línguas, entre elas o italiano.Tem coisas antigas, mas também alguns clássicos que interessarão aos aprendizes de italiano.
O site é esse aqui, e você pode "curiosare" nos vários livros e linguas.
Buona navigazione!
La parola del giorno è: curiosare (xeretar, bisbilhotar)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
La vera storia di Cappuccetto Rosso
Falando ainda de contaminação linguística, já apontei aqui como a língua inglesa "invadiu" a língua italiana, a ponto de termos, em determinados discursos, muitas palavras inglesas misturadas ao italiano.
O interessante é que as palavras inglesas no italiano não têm (em sua maioria) a grafia adaptada ao italiano, como ocorre frequentemente no português brasileiro.
Essas palavras, que são empréstimos, podem constituir uma dificuldade (mais conhecido como "pepino tradutório" entre os tradutores) no momento de tradução , pois surgem questões sobre como traduzir e quanto traduzir, se pensarmos que também aqui no Brasil usamos palavras em inglês inseridas no nosso discurso, mas que não necessariamente, significam a mesma coisa do que uma palavra inglesa "emprestada" ao italiano.
A questão é bastante complexa (e longa!) então, por enquanto, vou deixar para vocês uma historinha inventada, cuja autoria desconheço, mas que ilustra, jocosamente, a quantidade de palavras da língua inglesa usadas em italiano.
É escrita em angliano (inglês + italiano), mas bastante divertida.
Espero ter tempo em breve para voltar ao assunto.
O interessante é que as palavras inglesas no italiano não têm (em sua maioria) a grafia adaptada ao italiano, como ocorre frequentemente no português brasileiro.
Essas palavras, que são empréstimos, podem constituir uma dificuldade (mais conhecido como "pepino tradutório" entre os tradutores) no momento de tradução , pois surgem questões sobre como traduzir e quanto traduzir, se pensarmos que também aqui no Brasil usamos palavras em inglês inseridas no nosso discurso, mas que não necessariamente, significam a mesma coisa do que uma palavra inglesa "emprestada" ao italiano.
A questão é bastante complexa (e longa!) então, por enquanto, vou deixar para vocês uma historinha inventada, cuja autoria desconheço, mas que ilustra, jocosamente, a quantidade de palavras da língua inglesa usadas em italiano.
É escrita em angliano (inglês + italiano), mas bastante divertida.
Espero ter tempo em breve para voltar ao assunto.
THE BELLISSIM' STORY OF CAPPUCCETT RED
(Only per chi conosc l'english)
One mattin her mamma dissed: "Dear Cappuccett, take this cest to the nonn, but attention to the lup that is very ma very kattiv! And torn prest! Good luck! And in bocc at the lup!"
Cappuccett didn't cap very well this ultim thing but went away, da sol, with the cest.
Cammining cammining, in the cuor of the forest, at a cert punt she incontered the lup, who dissed: "Hi! Piccula piezz'e girl!' Ndove do you go?" "To the nonn with this little cest, which is little but it is full of a sacc of chocolate and biscots and panettons and more and mirtills" she dissed. Ah, mannagg! "A Maruschella (maybe an expression com: what a cul that I had)" dissed the lup, with a fium of saliv out of the bocc. And so the lup dissed: "Beh, now I dev andar because the telephonin is squilling, sorry."
Cappuccett didn't cap very well this ultim thing but went away, da sol, with the cest.
Cammining cammining, in the cuor of the forest, at a cert punt she incontered the lup, who dissed: "Hi! Piccula piezz'e girl!' Ndove do you go?" "To the nonn with this little cest, which is little but it is full of a sacc of chocolate and biscots and panettons and more and mirtills" she dissed. Ah, mannagg! "A Maruschella (maybe an expression com: what a cul that I had)" dissed the lup, with a fium of saliv out of the bocc. And so the lup dissed: "Beh, now I dev andar because the telephonin is squilling, sorry."
And the lup went away, but not very away, but to the nonn's House.
Cappuccett Red, who was very ma very lent, lent un casin, continued for her sentier in the forest. The lup arrived at the house, suoned the campanel, entered, and, after saluting the nonn, magned her in a boccon. Then, after sputing the dentier, he indossed the ridicol night berret and fikked himself in the let. When Cappuccett Red came to the fint nonn's house, suoned and entered. But when the little and stupid girl saw the nonn (non was the nonn, but the lup, ricord!) dissed: "But nonn, why do you stay in let?"
And the nonn-lup: "Oh, I've stort my cavigl doing aerobics!".
"Oh, poor nonn!" said Cappuccett (she was more than stupid, I think, wasn't she?).
Then she dissed: "But...what big okks you have! Do you bisogn some collir?"
"Oh, no! It's for see you better, my dear (stupid) little girl" dissed the nonn-lup.
Then cappuccett, who was more dur than a block of marm: "But what big oreks you have! do you have the Orekkions?".
Then cappuccett, who was more dur than a block of marm: "But what big oreks you have! do you have the Orekkions?".
And the nonn-lup: "Oh, no! It is to ascolt you better".
And Cappuccett (that I think was now really rincoglionited) said: "But what big dents you have!"
And the lup, at this point dissed: "it is to magn you better! And magned really tutt quant the poor little girl".
And Cappuccett (that I think was now really rincoglionited) said: "But what big dents you have!"
And the lup, at this point dissed: "it is to magn you better! And magned really tutt quant the poor little girl".
But (ta dah!) out of the house a simpatic, curious and innocent cacciator of frod sented all and dissed: "Accident! A lup! Its pellicc vals a sac of solds.
And so, spinted only for the compassion for the little girl, butted a terr many kils of volps, fringuells and conigls that he had ammazzed till that moment, imbracced the fucil, entered in the stanz and killed the lup. Then squarced his panz (being attent not to rovin the pellicc) and tired fora the nonn (still viv) and Cappuccett (still rincoglionited).
And so, at the end, the cacciator of frod vended the pellicc and guadagned honestly a sacc of solds. The nonn magned tutt the leccornies that were in the cest. And so, everybody lived felix and content (maybe not the lup!).
La parola del giorno è: prestito (empréstimo)
sábado, 30 de outubro de 2010
Conjugador de verbos/Coniugatore di verbi
Passadinha rápida para recomendar um conjugador de verbos, que conjuga verbos italianos, mas pode ser acessado em várias línguas, entre as quais o português.
Eccolo: http://www.italian-verbs.com/os-verbos-italianos.htm
Eccolo: http://www.italian-verbs.com/os-verbos-italianos.htm
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Contaminação, evolução, mudança: 2ª parte
Continuando a conversa
sobre “contaminação”, “evolução”, “mudança” e afins, que comecei com o Danilo Nogueira através dos nossos blogs , fui revisar alguns conceitos, e vou tentar reorganizar as ideias para chegar, de novo, no meu ponto de partida e no que eu quero realmente explorar.
Primeiro: as línguas evoluem. Sim. Mas vou puxar o meu passado de bióloga e tomar a palavra evolução como processo de transformação e modificação ao longo do tempo. Essa é a definição de evolução no sentido biológico, e a rigor, não é nem positiva e nem negativa. É mudança, simplesmente.
Portanto, as línguas mudam, se transformam, e disso nós somos testemunhas, já que o vocabulário e modo de falar denuncia a idade, não é?
Segundo: se as línguas mudam, como isso acontece?
Um dos modos de mudança lexical (existem vários) é o empréstimo, que ocorre quando há incorporação ao léxico de uma língua de uma palavra ou traço linguístico pertencente a outra língua. No empréstimo pode haver a reprodução da palavra sem alteração na pronúncia ou grafia (como em shopping), ou com adaptação fonológica e ortográfica (como em abajur).
Como a língua não muda mesmo aos trambolhões (embora alguns processos atraiam outros e ocorram quase em sequência), o mais interessante é que, se a gente prestar atenção, pode observar essas mudanças acontecendo diante dos nossos olhos (e ouvidos).
Esses dias eu estava vendo uma propaganda em homenagem ao Pelé, que hoje faz 70 anos, e a propaganda mostrava um recorte de jornal bem antigo, e lá estava escrito que o Pelé tinha levado um “knockout”. Muitos anos depois, essa palavra estrangeira não gerou apenas mais uma palavra completamente incorporada ao nosso léxico, mas uma família inteira: nocautear, nocauteado, nocauteador, nocaute e por aí vai. São legítimas, sim, mesmo que o dicionário não consagre todas elas (no Houaiss, por exemplo, não há nocauteador).
Você observou a palavra que eu usei, “consagre”? Não foi à toa. Isso porque o dicionário sempre foi uma obra absoluta, como a bíblia, para muitos. Em reuniões de família, levanta-se da mesa para consultar o dicionário, e o que ele diz é lei.
Os neologismos, porém, demoram em média dez anos para constarem nos dicionários, com raras e boas exceções, como o Aulete, pois nesses tempos internéticos, dez anos é muito tempo.
Antes de constarem no dicionário, as palavras têm que passar por um período de “teste”, e aí entra muito (mas muito mesmo), a questão do poder, quem disse, quem está usando tal palavra ou expressão, para ver se a palavra vai “vingar”. Mas nós, simples mortais e não “imortais” da academia, também temos a nossa parcela de influência, ao falarmos e escrevermos, estamos legitimando palavras e construções.
Língua é poder, palavra é poder. Por isso temos tantas palavras oriundas do inglês, adaptadas ou não. São eles que mandam agora, já foram os romanos.
A questão que mais choca, porém, não é o empréstimo lexical, mas a incorporação de estruturas sintáticas ao português, a que nós, tradutores, estamos mais expostos e das quais muitas vezes somos a causa.
Mas esse vai ser o assunto do próximo post. Enquanto isso, leia essa tirinha da Mafalda, boa para se divertir e refletir. Até lá.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Parole di Passione
Um passarinho (chamado sitemeter) me contou que muitas pessoas vêm aqui no blog procurando informações relacionadas à novela Passione.As indicações dos significados são gerais e fora de contexto, portanto, entendam como uma ideia, e não como uma tradução rígida.
e che me ne frega? - e o que me importa? e eu com isso?
bischero – palavra de origem toscana, significa bobalhão, bobo, burro, panaca.
figurati – verbo reflexivo no imperativo, na 2ª pessoa do singular, significa “imagine!”. Aparece também na 1ª pessoa do plural, figuriamoci!
accidenti – Exclamação de amplo significado:caramba, céus, nossa, puxa!
carogna- na novela é usado como canalha, cafajeste.
schifosa - nojenta
fragolone/fragolina – apelidos carinhosos usados (na novela) por um casal. Aumentativo e diminutivo de fragola (morango), que em italiano é feminino (la fragola). Ou seja: morangão e moranguinha.
va bene – Está bem
polizia – polícia
capisco/capisci – verbo capire (entender) na 1ª e 2ª pessoas do singular do indicativo. A pronúncia do (tu) capisci é “capixi”. Também há o “capito”, entendido.
senti – Verbo sentire (ouvir) na 2ª pessoa do singular do indicativo.
facciamo così – vamos fazer assim
perché – por que/ por quê/ porque/ porquê.
tutto – todo ou tudo.
grazie - obrigado
questo - esse
cuore - coração
scusi - desculpe
vita - vida
lo so – sei disso
andiamo – vamos
dai – Tem muitos significados, mais frequente na novela é “vamos!” ou “ora!”
voglio – 1ª pessoa singular do indicativo do verbo volere (querer)
rabbia - raiva
sposato - casado
tu sei – você é
per bene – Por ex: Una donna per bene: uma mulher boa, uma mulher direita.
anche - também
metti – 2ª pessoa do singular, imperativo do verbo mettere (ponha, coloque)
è finita – 3 ª pessoa do singular do passado do verbo finire (terminar, acabar)
ti prego – te peço, te imploro. Pode ser usado como um “por favor” mais enfático.
dio santo – deus do céu
fermati – Imperativo do verbo reflexivo fermarsi, 2ª pessoa do sing. “pare”
non parlare così – não fale assim. Na 2ª pessoa do singular no imperativo, o verbo permanece no infinitivo.
resta con me – fique comigo
prego – Palavrinha que pode ter muitos significados, menos o que parece. Pode ser: “de nada”, em resposta a um agradecimento, pode ser “tenha a bondade”, “pois não”
che posso fare – O que eu posso fazer
me ne vado – vou embora
non ti preoccupare – não se preocupe
mi piace – eu gosto
davvero – mesmo, de verdade
babbo - papai
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Dia do Tradutor
Hoje, dia 30 de setembro, é o Dia do Tradutor, em homenagem a São Jerônimo, padroeiro dos tradutores por ter traduzido a Biblia do grego para o latim.Para homenagear os colegas tradutores, achei no blog do Amauri Alves da Silva essa pérola sobre os direitos dos tradutores. Muito bem humorado e muito bem pensado.
Leiam, divirtam-se e reflitam:
O TRADUTOR
1) O TRADUTOR dorme. Pode parecer mentira, mas o TRADUTOR precisa dormir como qualquer outra pessoa. Esqueça que ele tem celular e telefone em casa, ligue só para o escritório (ou, pelo menos, ligue no horário comercial);
2) O TRADUTOR come. Parece inacreditável, mas é verdade. O TRADUTOR também precisa se alimentar e tem hora para isso;
3) O TRADUTOR pode ter família. Essa é a mais incrível de todas: mesmo sendo um TRADUTOR, a pessoa precisa descansar no final de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em gramática, termos técnicos, revisões, glossários, impostos e etc.;
4) O TRADUTOR, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro. Por essa você não esperava, né? É surpreendente, mas O TRADUTOR também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome Lexotan para conseguir relaxar... Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao TRADUTOR;
5) Ler, estudar também é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando está concentrado em livros ou publicações especializados, O TRADUTOR está se aprimorando como profissional, logo trabalhando;
6) De uma vez por todas, vale reforçar: O TRADUTOR não é vidente, não joga tarô e nem tem bola de cristal, pois se você achou isso, demita-o e contrate um PARANORMAL OU DETETIVE. O TRADUTOR precisa planejar, organizar-se e assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo. Se você quer um milagre, ore bastante, faça jejum, e deixe o pobre do TRADUTOR em paz;
7) Em reuniões de amigos ou festas de família, O TRADUTOR deixa de ser O TRADUTOR e reassume seu posto de amigo ou parente, exatamente como era antes de ingressar nessa profissão. Não peça conselhos, dicas: ele tem direito de se divertir;
8) Não existe apenas uma ‘traduçãozinha”, uma "pesquisazinha" , nem um "resuminho", um cardapiozinho para meu boteco, etc. Levantamentos, pesquisas e resumos são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Esses tópicos podem parecer inconcebíveis a uma boa parte da população, mas servem para tornar a vida do TRADUTOR mais suportável;
9) Quanto ao uso do celular: celular é ferramenta de trabalho. Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda duvide, O TRADUTOR pode estar fazendo algumas coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo;
10) Pedir a mesma coisa várias vezes não faz O TRADUTOR trabalhar mais rápido. Solicite, depois aguarde o prazo dado pelo TRADUTOR;
11) Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 12h, não significa que você pode ligar às 11h58. Se você pretendia cometer essa gafe, vá e ligue após o horário do almoço (relembre o item 2). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte;
12) Quando O TRADUTOR estiver apresentando um projeto, por favor, não fique bombardeando com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além de torrar a paciência. ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projeto, como por exemplo "que dicionário é melhor para eu levar na minha viagem pra Grécia?";
13) O TRADUTOR não inventa problemas, não cria regras gramaticais, não tem relação com o sobe-e-desce do dólar, não é culpado pelo analfabetismo funcional e não controla as catástrofes causadas pelo "El Niño". Não reclame! O Tradutor com certeza fez o possível para você pagar menos e receber o trabalho dentro do prazo, com qualidade. Se quiser "dar um jeitinho", dê, mas antes demita o tradutor e contrate um quebra galho;
14) OS TRADUTORES não são os criadores dos ditados "o barato sai caro" e "quem paga mal paga em dobro". Mas eles concordam... ;
15) E, finalmente, O TRADUTOR também é filho de DEUS e não filho disso que você pensou.
Agora, depois de aprender sobre O TRADUTOR, republique no seu blog, repasse para os amigos e familiares, afinal, essas verdades precisam chegar a todos.
O TRADUTOR agradece.
Parabéns a todos os tradutores que com o seu trabalho transformam barreiras em caminhos.
sábado, 11 de setembro de 2010
Come si dice computer in italiano?
Hoje começo uma série de posts sobre a questão do uso de palavras
estrangeiras (especialmente do inglês) no italiano, mas que tem uma pontinha ligada com a questão da contaminação linguística mencionada no post anterior.
Encontrei um texto bem interessante (na verdade, reencontrei), que faz parte do livro Linea Diretta, bastante usado nos cursos de italiano no Brasil. Como o texto é meio longo, o primeiro post é só o texto, e nos próximos, pretendo explorar e enriquecer mais a questão.
Aproveitem a leitura!
L'Italiano lingua straniera
Non c’è oggi chi non pronunci, o peggio, scriva parole straniere per sfoggiare conoscenza di lingue di cui spesso ha solo un’infarinatura. Se abbiamo il vocabolo italiano, perché ricorrere allo straniero?
Non siamo ormai presenti alla riunione, ma al “meeting”; non facciamo acquisti, ma “shopping”, passando da una “boutique”, negozio, alla sala esposizione, “show-room”, sita “vis-à-vis”, cioè dirimpetto; non coltiviamo un sentimento ma stabiliamo un “feeling”; siamo “single” ma non scapoli, nubili, divorziati, separati, qualche volta conviventi col “partner”, amico-amica; non trascorriamo la fine settimana, ma il “week-end”, facendo una scampagnata, anzi un “picnic”, non in bicicletta ma su un “mountain bike”, magari nell’entroterra, meglio nello “hinterland” milanese; non paghiamo il tagliando o la quota (non sia detto!) paghiamo il “ticket” (vorrei tanto conoscere l’esimio impagabile superburocrate che ci ha imposto il termine inglese); sin da bambini abbiamo diritto non non più alla bambinaia ma alla “baby sitter” e cresciuti, non saremo dirigenti bensì “manager” con problemi aziendali di ricambio, mi scuso, di “turnover”: per essere ricevuto da un personaggio (vip) non ci basterà un semplice permesso, ma dovremo procurarci un “pass”; se poi partecipiamo a uno “stage”, cioè soggiorno di studio, fra un “lunch”, colazione, ed un “dinner”, cena, faremo un “break”, pausa, intervenendo ad un “party”, trattenimento, ricco di “drinks”, bevande.
Per partire in aereo, non ci presentiamo alla registrazione ma al “check-in”: i nostri soldati in Somalia non hanno presidiato posti di blocco, ma “check-points”; ieri i non professionisti erano semplicimenti dilettanti, però oggi molti di questi ultimi preferiscono considerarsi “amatori”. E potrei continuare all’infinito.
La colpevole tolleranza di molti insegnanti, così come il narcisismo di molti operatori dell’informazione stampata e televisiva, nonché infine la nostra pigrizia mentale, hanno causato la pedissequa ripetizione di parole dal significato talvolta travisato, l’ebete intercalare di “cioè” e di “niente” e quindi il dire o scrivere espressioni con evidente pleonasmi quali, per esempio: “Da un po’ di tempo a questa parte”, “Buon giorno a tutti”, “Vi informiamo, con la presente”, “Oggi come oggi”.
La lingua è viva in quanto si evolve senza fraporre ostacoli al nuovo, però non è detto che debba essere colonizzata.
Enzo D’Amico, Milano (da La Repubblica, 09/01/94)
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Contaminação Linguística
O Danilo Nogueira começou no blog dele e da Kelli Semolini, uma conversa sobre a questão da contaminação. Eu, muito enxerida que sou, já dei uns pitacos lá e outros tantos via Twitter e Skype. Decidimos, então, alongar a discussão via blogs, fazendo uma espécie de pingue-pongue.
O Danilo já disse muito lá no blog dele, mas ainda ficamos com umas pontas para serem amarradas ou talvez, desamarradas e transformadas numa rede.
Considero a contaminação linguística menos negativa que muita gente, afinal ela é uma das fontes de enriquecimento de uma língua. Sem esse processo, ainda falaríamos o português de Pedro Alvarez Cabral, sem nenhuma das contribuições que vieram por meio das línguas faladas pelos africanos, italianos, franceses e tantos outros.
Isso em teoria. A questão da contaminação se torna um problema quando ela ainda é recente, mas deixamos de identificá-la e passamos a utilizá-la no lugar de uma forma ou construção idônea. Aí entra a questão da contaminação versus erro.
No início, toda a contaminação é erro, até ser assimilada e utilizada a ponto de não causar mais estranhamento.
Um exemplo disso? Quando ouço alguém que diz que vai “suportar” outra pessoa no que ela precisar, quando leio que “eu não fui solicitada a fazer isso”, meus olhos e ouvidos doem e não reconheço isso como português, mas sim estruturas contaminadas vindas na maior parte do inglês.
No entanto, nem todo mundo percebe que a contaminação está ali rondando determinada palavra ou expressão, simplesmente porque, por ser mais jovem, pegou o bonde da assimilação andando (sim, eu sou do tempo do bonde) e quase não percebe mais a estrutura ou palavra contaminada como estranha.
Um exemplo disso é o “tornar-se” aplicado às profissões, debatido lá no blog do Danilo, que também me informa que a expressão “algo específico” é contaminação.
Acredito que os tradutores estejam constantemente expostos a esse "perigo", e por estarem tão mergulhados na outra língua, muitas vezes não percebem o problema.
Não vamos, porém, confundir contaminação com o simples estranhamento que a palavra ou expressão pode causar, até porque esse estranhamento pode variar de pessoa para pessoa, indo desde os puristas que acham tudo errado, até os linguistas revolucionários, que acreditam que tudo vale e tudo é certo. Isso é outra história.
Aliás, para quem for bem curioso, três palavras usadas nesse artigo não constam nos dicionários. Estarei contaminada?
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Falsi amici
Falsos amigos estão em toda a parte. Têm uma aparência familiar, amigável, simpática, mas estão só esperando para te enganar.
Alguns são bem difíceis de detectar, só a situação, o contexto, pode fazer ativar a pulga atrás da orelha e desconfiar que ali “c’è qualcosa che non va”.
Entre as línguas latinas há montes deles, e claro que o italiano não é exceção.
Alguns conservam ainda um traço semântico em comum, outros já se afastaram bastante em termos de significado.
Para quem é aprendiz (embora eu ache que sempre somos), uma lista para começar a reconhecer as armadilhas. É uma lista pequena, e às vezes, só uma acepção é um falso amigo.
Para quem já é experiente, um lembrete para ter sempre “olho vivo, faro fino e barbas de molho”, e não acreditar naquilo que parece ser, mas nem sempre é.
italiano - português - português - italiano
accidente! - caramba! - acidente - incidente
accordare - concordar - acordar - svegliarsi
andare - ir - andar - frequentare/piano di un palazzo
aperto - aberto - aperto - stringimento
attendere - aguardar - atender - servire il pubblico/rispondere al telefono
attirare - atrair - atirar - lanciare
acetto - vinagre - azeite - olio
asilo - jardim de infãncia - asilo - ospizio
birra - cerveja - birra - bizza
boia - carrasco - bóia - boa
boa - (masc) jibóia / (fem.) bóia - boa - buona
borraccia - cantil - borracha - gomma
burro - manteiga - burro - asino
caldo - quente - caldo - brodo
calcio - futebol/cálcio - cálcio - calcio
sigaro - charuto - cigarro - sigaretta
contare - contar (contas) - contar - raccontare/narrare
decorare - decorar (arquit.) - decorar - imparare a memoria
edicola - banca de jornais - edícula - nicchia
imbrogliare - enganar - embrulhar - impacchettare
imbroglio - confusão/engodo - embrulho - pacchetto
sperare - ter esperança - esperar - aspettare
squisito - delicioso - esquisito - strano
serra - estufa/cadeia de montanhas - serra - sega/serra
firma - assinatura - firma - ditta
guadagnare - ganhar (receber) - ganhar - vincere
patto - pacto - pato - anatra
palestra - ginásio/academia - palestra - conferenza
prego -de nada/ pois não - prego - chiodo
gomma - borracha (de apagar) - goma - amido
guardare - olhar - guardar - conservare/mettere via
legenda - lenda - legenda - sottotitolo
mais - milho - mais - più
morbido - macio - mórbido - morboso
negozio - loja - negócio - affare
occorrere - precisar, ser necessário - ocorrer - succedere
ospizio - asilo - hospício - manicomio
ospite - convidado, hóspede//anfitrião - hóspede - ospite
presunto - suposto - presunto - prosciutto
primo/a - pimeiro/a - primo/a - cugino/a
riparare - consertar - reparar - notare
rotto - quebrado/estragado - roto - strappato
Alguns são bem difíceis de detectar, só a situação, o contexto, pode fazer ativar a pulga atrás da orelha e desconfiar que ali “c’è qualcosa che non va”.
Entre as línguas latinas há montes deles, e claro que o italiano não é exceção.
Alguns conservam ainda um traço semântico em comum, outros já se afastaram bastante em termos de significado.
Para quem é aprendiz (embora eu ache que sempre somos), uma lista para começar a reconhecer as armadilhas. É uma lista pequena, e às vezes, só uma acepção é um falso amigo.
Para quem já é experiente, um lembrete para ter sempre “olho vivo, faro fino e barbas de molho”, e não acreditar naquilo que parece ser, mas nem sempre é.
italiano - português - português - italiano
accidente! - caramba! - acidente - incidente
accordare - concordar - acordar - svegliarsi
andare - ir - andar - frequentare/piano di un palazzo
aperto - aberto - aperto - stringimento
attendere - aguardar - atender - servire il pubblico/rispondere al telefono
attirare - atrair - atirar - lanciare
acetto - vinagre - azeite - olio
asilo - jardim de infãncia - asilo - ospizio
birra - cerveja - birra - bizza
boia - carrasco - bóia - boa
boa - (masc) jibóia / (fem.) bóia - boa - buona
borraccia - cantil - borracha - gomma
burro - manteiga - burro - asino
caldo - quente - caldo - brodo
calcio - futebol/cálcio - cálcio - calcio
sigaro - charuto - cigarro - sigaretta
contare - contar (contas) - contar - raccontare/narrare
decorare - decorar (arquit.) - decorar - imparare a memoria
edicola - banca de jornais - edícula - nicchia
imbrogliare - enganar - embrulhar - impacchettare
imbroglio - confusão/engodo - embrulho - pacchetto
sperare - ter esperança - esperar - aspettare
squisito - delicioso - esquisito - strano
serra - estufa/cadeia de montanhas - serra - sega/serra
firma - assinatura - firma - ditta
guadagnare - ganhar (receber) - ganhar - vincere
patto - pacto - pato - anatra
palestra - ginásio/academia - palestra - conferenza
prego -de nada/ pois não - prego - chiodo
gomma - borracha (de apagar) - goma - amido
guardare - olhar - guardar - conservare/mettere via
legenda - lenda - legenda - sottotitolo
mais - milho - mais - più
morbido - macio - mórbido - morboso
negozio - loja - negócio - affare
occorrere - precisar, ser necessário - ocorrer - succedere
ospizio - asilo - hospício - manicomio
ospite - convidado, hóspede//anfitrião - hóspede - ospite
presunto - suposto - presunto - prosciutto
primo/a - pimeiro/a - primo/a - cugino/a
riparare - consertar - reparar - notare
rotto - quebrado/estragado - roto - strappato
salita - subida - saída - uscita
subire - sofrer - subir - salire
terzo - terceiro- terço - rosario
tetto - telhado - teto - soffitto
tinto - pintado - tinto - vino rosso
tirare -puxar - tirar - togliere
villa - casa grande/mansão - vila - paesino
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